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Doença Ocular da Tireoide (DOT): sintomas, causas e tratamentos para preservar a visão e melhorar a qualidade de vida.

Descubra como a Doença Ocular da Tireoide afeta seus olhos e quais são as opções para diagnóstico e tratamento eficaz.

A Doença Ocular da Tireoide, também chamada de orbitopatia de Graves, é uma condição autoimune rara que afeta os tecidos ao redor dos olhos, como músculos, gordura orbital e pálpebras. Ela ocorre quando o sistema imunológico, por um erro, passa a atacar tanto a glândula tireoide quanto estruturas orbitais. Embora seja mais comum em pessoas com hipertireoidismo, especialmente na doença de Graves, também pode surgir em indivíduos com hipotireoidismo ou até mesmo com função tireoidiana normal.

Sinais e sintomas
Os sinais mais característicos incluem inflamação e inchaço na região ocular, causando olhos saltados (proptose), retração das pálpebras, vermelhidão e desconforto. Muitos pacientes relatam sensação de areia nos olhos, lacrimejamento, fotofobia e dor ao movimentar os olhos. Em casos mais graves, pode ocorrer visão dupla, exposição da córnea e até compressão do nervo óptico, o que representa risco de perda visual.

A DOT afeta principalmente mulheres acima dos 45 anos e está fortemente associada ao tabagismo, que aumenta o risco em até oito vezes. Aproximadamente um quarto das pessoas com doença de Graves desenvolvem alterações oculares, e fumantes têm risco dobrado. A causa está ligada à produção de anticorpos contra receptores de TSH, presentes tanto na tireoide quanto nos tecidos orbitais, provocando inflamação e remodelação dos tecidos.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por oftalmologistas e endocrinologistas, com exame clínico detalhado, testes hormonais e exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética. O tratamento depende da fase da doença. Na fase ativa, o objetivo é controlar a inflamação com lubrificação ocular, colírios, uso de corticoides e, em alguns casos, imunoterapia. O controle da função tireoidiana e a cessação do tabagismo são fundamentais. Em fases mais avançadas ou quando há deformidades permanentes, podem ser necessárias cirurgias para descompressão orbitária, correção do estrabismo ou ajustes palpebrais. Recentemente, medicamentos como o teprotumumabe, aprovados nos Estados Unidos, têm mostrado resultados promissores na redução da proptose e da inflamação.

Além dos impactos físicos, a DOT pode afetar profundamente a autoestima e a qualidade de vida, já que as alterações na aparência e na visão podem gerar ansiedade e depressão. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar, envolvendo endocrinologistas, oftalmologistas e profissionais de saúde mental, é essencial.

A prevenção passa por medidas simples, como parar de fumar e manter os níveis hormonais estáveis com acompanhamento médico regular. Cuidados diários, como uso de óculos escuros, lubrificação ocular e evitar tratamentos com radioiodo durante a fase ativa, também ajudam a reduzir complicações.

A Doença Ocular da Tireoide é complexa, mas com diagnóstico precoce e tratamento adequado é possível preservar a visão, melhorar a aparência e garantir qualidade de vida. Informação e conscientização são passos fundamentais para enfrentar essa condição.

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